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Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

BALADAS

...E AGORA
ROGO AS PALAVRAS
SUA MAIOR DOR – O SILÊNCIO.

BALADAS

CHORO
A DOR DO NÃO
EXISTIR.
EM SILÊNCIO,

OBSERVO AS MOLDURAS VAZIAS.
A SÓS ESTÃO.
EM SILÊNCIO, CHORO O NÃO,
TAMBÉM, COMO DOR,
DA NÃO EXISTÊNCIA,
DO NÃO ESTAR,
DO NÃO.

BALADAS

CAMINHO SOBRE
O NADA
INFINITAMENTE ALÉM
DE MIM
É ONDE ME
ENCONTRO, QUANDO
O NÃO
É DOR.

BALADAS

AS FLÔRES CHORAM
A SORTE DE UM AMOR PERDIDO
AS MÃOS DANÇAM AO VENTO
NUM ACENO
OS OLHOS ESCONDEM MOLHADOS
A DOR

DO NÃO.
A DOR PELA DOR.

COMO DEFINIÇÃO: DOR

VISÃO DE UM POR DO SOL

OBSERVO O ESPAÇO
INFINITO,
TACITURNO,
PELO VIDRO
QUASE OPACO
DA JANELA.
AINDA É DIA
E O SOL TRAÇA
CONTORNOS ARQUITETÔNICOS
AINDA DIVISÍVEIS
PELO VIDRO
QUASE OPACO
DA JANELA.
DISTRAIO-ME.
AS HORAS PASSAM.
JÁ É NOITE.
O NEGRUME EXTERNO
PRODUZ UM ANTEPARO
INFINITO,
TACITURNO,
NO VIDRO
QUASE OPACO
DA JANELA

VERDADE ABSOLUTA

VOU VAGAR PELOS
CAMPOS PARA DESCOBRIR
MINHAS VERDADES.
E QUE NÃO SEJAM
ELAS ABSOLUTAS.
E NEM A EFEMERIDADE
SE LHE SOBREPONHA
DE TAIS MANEIRAS
E EM TAIS PONTOS
QUE ESTAS MESMAS VERDADES
VERTAM-SE EM UMA MERA
REPRESENTAÇÃO FICTÍCIA
DO FATO PRESENTE.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Poeticamente: COMENTÁRIO

Poeticamente: COMENTÁRIO: INVASÃO DE PRIVACIDADE. PASSOU A VIGORAR A PARTIR DE 01/01/12 (QUE SEJA UM ANO DE MUITO SUCESSO PARA TODOS) O PROJETO DE LEI 7672/2010 QUE ...

COMENTÁRIO

INVASÃO DE PRIVACIDADE.

PASSOU A VIGORAR A PARTIR DE 01/01/12 (QUE SEJA UM ANO DE MUITO SUCESSO PARA TODOS)
O PROJETO DE LEI 7672/2010 QUE PROÍBE O CASTIGO FÍSICO NA EDUCAÇÃO DE FILHOS. AFORA AS
DISCUSSÕES FILOSÓFICAS ACERCA DO TEMA CUMPRE-NOS RESSALTAR AQUI, O QUE ALIÁS É TÃO IMPORTANTE QUANTO, A INTROMISSÃO DO ESTADO NA INDIVIDUALIDADE DE CADA UM; ENTENDA-SE FAMÍLIA. ISTO AFRONTA, FLAGRANTEMENTE, DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL.

O ESTADO NÃO É FIM, O ESTADO É MEIO. NÃO PODEMOS PERMITIR E ADMITIR ESTA INTROMISSÃO EM NOSSA INDIVIDUALIDADE. AFINAL VIVEMOS, OU NÃO, SOB E SOBRE UMA DEMOCRACIA?; OU PARECE-ME QUE ESTAMOS MIGRANDO PARA UMA "DEMOCRACIA DITATORIAL"?; O QUE É ISSO? - PERGUNTO.O ESTADO NÃO PODE SE ARVORAR SENHOR DE TUDO E DE TODOS. FIQUEMOS ATENTOS. NÃO DEIXEMOS O ESTADO GOVERNAR NOSSA VIDA.

NÃO PODEMOS FICAR CALADOS. TEMOS MUITAS FORMAS DE GRITAR. AS REDES SOCIAIS NOS PERMITEM ISSO.

ATÉ BREVE.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

SOBRE A MORTE!?

CAMINHO, CAMINHOS SÓS
À MARGEM DE UM MUNDO
MINHA MESA SÃO SUAS LATRINAS
OS MUNTUROS COM TODOS OS SEUS EXCREMENTOS
SÃO MINHA COZINHA

CUSPAM,
ESCARREM EM MINHA CARA
SEU CATARRO TUBERCULENTO

VOMITEM DOS ARRANHA-CÉUS DE SEUS CÉFALOS
TEORIAS COMPRADAS EM GÔNDOLAS DE SUPERMERCADOS

ATEM-ME,
VENDEM-ME,
ARRASTEM-ME POR ESQUINAS, BECOS E LATRINAS IMUNDAS

ASSASSINEM-ME
SEUS BOSTAS CRÉDULOS
FAÇAM-ME BEIJAR A PORTA DO INFERNO
DE FORMA QUE NÃO ME PERMITAM VOLTAR
POIS NÃO TEMO A DOR, NEM A MORTE
POIS SOU A DOR, SOU A MORTE

E VOMITAREI SOBRE SUAS FERIDAS, TODAS
E COM IMPRECAÇÕES OS AMALDIÇOAREI

POIS SOU DE TI: O TEMOR E O TREMOR.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

UM SILÊNCIO TEMEROSO
ENVOLVE-ME.
A SALA, ANTE O MEU TEMOR,
ASSEMELHA-SE AO PULSAR DE MINHAS TÊMPORAS

LIGO A TV.
AS CORES
CONFUNDEM-ME.
LIGO O RÁDIO.
AS VOZES
MISTURANDO-SE;
OS SONS
DO TELEJORNAL,
DO RÁDIO.

ESTOU TRÊMULO.
ÁGUA – SORVO UM GOLE,
MINHA BOCA AMARA
A LÍNGUA RESSECADA

SINTO-ME DÉBIL
PRECISO SAIR.
SINTO-ME DÉBIL

UM CIGARRO - NÃO TENHO O HÁBITO DE FUMAR
A PORTA
ESTA TRANCADA
QUEREM
MANTER-ME PRESO.
PRECISO SAIR

SINTO-ME DÉBIL

AS PAREDES
PARECE QUE VÃO ME COMPRIMIR
GRITO

MÃOS TENTAM ME SUFOCAR
GRITO

TALVEZ RESISTA
NÃO
NÃO TENHO FORÇAS

OUÇO VOZES., GRITOS.
MÚSICA NA TV – MORTES NO JORNAL
AS CORES
A PORTA

A PORTA
PRECISO SAIR
ESTÁ TRANCADA
A CHAVE, NÃO SEI

SINTO-ME DÉBIL
UM CIGARRO – NÃO TENHO O HÁBITO DE FUMAR
PRECISO SAIR
A PORTA
RISOS
SONS
ODOR
MÃOS QUE ME SUFOCAM
GRITO
DOR
SANGUE EM MINHAS MÃOS
NARINAS
COR
GRITO
ODOR
PRECISO SAIR

SINTO-ME DÉBIL
A PORTA FECHADA
A JANELA
A JANELA
DIRIJO-ME A ELA
SALTEI
O VENTO EM MEU PEITO
NÃO SENTI A MIM
ESTOU SUSPENSO
SORRI
SINTO-ME MELHOR
NÃO TEM MÃOS
A ME SEGURAR
NÃO OUÇO VOZES
GRITOS
NÃO SINTO DOR
ODOR
A COR
O CHÃO
O CHÃO SE APROXIMA
UM SOM ABAFADO
UM CORPO
SANGUE SINTO-ME FRACO
OS OLHOS SEM DOR
A MORTE
POR FIM

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Breves comentários

Já me debrucei por vezes sobre a retórica Kantiana (crítica da razão pura, critica da razão prática)é um dos meus mais ferrenhos desejos desvendar as palavras por trás daqueles textos. Que decepção. Por mais que invista sobre aquelas leituras parece-me que sou incapaz de compreendê-los. Não. Creio que não sou tão incapaz, mas vou vazer aqui uma reflexão: será que todo o tempo que despendi e não consegui compreendê-los, no todo, o sistema Kantiano, não será porque ele não é bastante claro nas suas reflexões do ponto de vista prático. Senão vejamos: a que me interessa saber os princípios que norteiam a formaçã da razão. A mim não é senão um complexo de experiências práticas e conhecimentos recebidos através dos relacionamentos interpessoais.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Paisagem

O sol caía lento
naquela tarde
um vazio e um afobante silêncio
preenchiam o lugar
uma brisa leve
soprava rasteira
levantando
uma poeira fina
tal neblina
em manhã invernal

O capim melancólico
balançava tristemente
emitindo um som
que insistentemente
reproduzido
tornava-se enfadonho

Esparsas
as poucas árvores
de poucas folhas
transmitiam
uma sensação de incompletitude
empobrecendo o lugar

Mas, contraditoriamente,
a composição pictórica do ambiente
moldada segundo
(pseudos?)
reflexões psicológicas do eu,
enquanto sentimento,
era agradável a mim.

"Queria que o tempo não levasse embora
os prazeres do dia."

sábado, 31 de janeiro de 2009

O AÇO TORNADO DEUS

O aço sibilou no espaço frio, terrificante emitindo um sibilo augúrio, agoniante. Em movimentos cortantes, rápidos, violentou, dilacerou o tênue cordão que une vida e morte, interrompendo, subtraindo violentamente uma vida. Igualou-se a Deus. O corpo exangue tombou de chofre no calçamento quente em agonia, esvaindo-se em sangue, chorando sobre a pedra suas dores e alegrias que ainda haveriam por vir. Os olhos aterrorizados observam atônitos a carne cortada feito fato de bode, abrindo-se, expondo-se, mostrando a frágil fortaleza rompida, buscando além de si uma ponta de meada, um fio que venha içá-lo do abismo em que foi jogado. As narinas bufantes como de cavalgaduras em tropel, o corpo contorcido em dor, a cara no chão, o sangue misturando-se a areia, as unhas crispando o chão, o corpo balbuciando seus lamentos últimos, a boca em choro, em gemidos, vociferando impropérios, chorando a dor em lamentos, agonizando. Tudo isso era sinônimo de um fim que iniciava e parecia não ter fim, em função da dor. Que estupidez, uma vida esvaindo-se assim de forma tão imbecil, tão banal. Em dor. Dor.
O ajuntamento que se formou ao derredor, por catequese pseudo-social, chorava a dor, perquirindo-se, maldizendo o infortúnio, compadecendo-se do pobre diabo que agonizava, gritava a esmo por um socorro que teimava em não chegar.
O tempo seguia seu curso sem “se”, sem “senão”. O frágil corpo definhava ao sol escaldante sobre o calçamento quente, em brasa. Não emitia mais palavras, apenas grunhidos. Até o momento em que seus olhos apenas fecharam, suas unhas crisparam o chão e sua boca silenciou em seu último sussurro. Seu corpo silenciou em uma morte estúpida. A turba como que por inércia foi silenciando, dispersando-se, afinal acabara o espetáculo, não veio a imprensa, não veio o socorro. Todos se foram. Ficou um corpo. No meio-fio encostado em um poste, acocorado, um corpo com rosto sofrido observava em silêncio, sem lágrimas em seus olhos, a tez carcomida pela ação incessante, inclemente, despótica e voraz do tempo, sem vingança em seus olhos e dedos entrelaçados como que em oração, rogando um perdão, e consolando-se a si mesmo pela ausência, esperava, agora sozinho, pelo rabecão.