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Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

DIA DE EXPEDIENTE

DIA DE EXPEDIENTE
André Maurício – 12/2017

            Quando ele chegou a empresa naquela manhã, não sabia o que lhe esperava. Era um cara “na dele”, como diziam. Sentava-se em seu birô e dedicava-se ao trabalho. Não, que não conversasse com seus colegas, mas dedicava-se a maior parte do tempo as tarefas profissionais.
            Estatura mediana, meia idade, bem-apessoado, casado, inclusive todos no trabalho gostavam de sua esposa, e apesar de, tinha uma queda por mulheres da bunda redonda, modelada, saliente, gostosa. E ficava mais louco ainda quando via a marca da calcinha sob o jeans. Isto o deixava excitadíssimo a ponto de, estivesse fazendo o que estivesse, precisar aliviar a tesão que o dominava naquele instante.
            Pois bem, naquela manhã, chegou uma estagiária nova no setor. Entrou tímida e um pouco assustada. Nada exuberante, mas revestida de uma cor morena estonteante, lábios voluptuosos cobertos por um batom carmim, umas coxas provocantes e uma bunda - literalmente - deliciante. E o mais instigante nela: novinha e casada. As casadas, ele dizia, são as mais gostosas, excitantes e deliciosas.
            Quando pediram para ela ocupar o birô ao lado do dele, sua mente começou a imaginar loucuras e seguiu-se um esforço Hercúleo para evitar que ela, naquele instante inicial, ou outro colega percebesse que aquela menina, morena, com cara de sapeca, despertava desejos concupiscentes e instigava seus desejos mais sacanas.
            A partir daí foi um esforço de concentração nos afazeres diários. Eram olhadelas de canto de olho ao vê-la se dirigir a máquina de xérox, pois, neste momento, ela ficava de costas e era o momento ideal para ver aquele monumento que ela ostentava com orgulho e sensualidade. Quando conseguia divisar a marca da calcinha ficava alucinado.
            Os dias foram transcorrendo e a desinibição foi sumindo e surgindo uma relação mais informal. Começou, então, a tratá-la por morena, com uma entonação desejosa na voz e a menina percebeu que provocava desejos libidinosos nele. As piscadelas que ela dava provocando-o, deixavam-no excitado. Passou a segui-la nas redes sociais e curtia todas as fotos em que ela estava de biquíni.
            Num desses dias em que ela estava excitada, desejosa de uma pegada, de sentir a mão de um homem entre suas coxas bulinando os pequenos lábios, acariciando o clitóris, ela lhe envia uma foto através do celular em que aparecia usando uma calcinha de renda vermelha socada na bundinha. Putz! Naquele dia, ele não se conteve e aliviou o tesão por duas vezes. E nos dias que se seguiram, foram incontáveis as vezes em que se masturbou olhando aquela bunda coberta por uma fina peça de renda. E contou para ela que ficava excitadíssimo com seus olhares insinuantes e a tatuagem que trazia numa das nádegas.
            Dias depois, num rompante de loucura comprou uma calcinha semelhante e pediu para sua esposa usar. Enquanto transava, pensava na morena.
            Demorou, mas num dia em que tudo conspirava a favor, ele decidido, ela provocante num jeans colado delineando a bunda exuberante, aproveitando o final da festa de confraternização da empresa, ele a colocou sobre o birô e começou a despi-la devagar. Tirou-lhe a blusa e acariciou seus peitinhos pequenos e duros. Tocava os mamilos com a ponta dos dedos e mordiscava com os lábios úmidos e os chupava com desejo. Ora com volúpia, ora com lentidão, num frenesi embriagante. Ficava tateando os lábios voluptuosos com a língua e ouvindo ela arfar com tesão, sussurrando palavras ininteligíveis, ante o roçar da língua devoradora. Ela contorcia o corpo, revirava os olhos e encarava-o com um jeito sacana. Ela arfante, com os peitinhos duros pedia para ser chupada e mordiscada até o limite da dor e do prazer.
            Ele insinuante, deslizava uma pedra de gelo roçando a pele do abdômen provocando arrepios e gemidos. Ela com tesão implorava para ser penetrada, dizendo: me fode, porra! Me fode gostoso. Ele excitadíssimo com seu membro rijo na mão em movimentos masturbatórios ora rápidos, ora leves, ofegante, dizia: morena você é muito gostosa. Me deixa louco. Vou te foder gostoso.
            Ele desabotoou a calça dela e desnudou-a, deixando-a só de calcinha. Aquela de renda vermelha. O tecido fino e delicado cobria delicadamente o monte de vênus raspadinho, sem pelos, maravilhoso e molhado pelo tesão que a morena gostosa e provocante estava sentindo. Ela derramou um pouco de vinho tinto sobre a calcinha molhando o clitóris que piscava louco para ser chupado. Ele com o pau rígido na mão, começou a chupar a calcinha ora com força, ora com suavidade fazendo ela gemer e pedir para ser penetrada.
            Sabendo que não a teria sempre, pois ambos eram casados, puxou a calcinha com os dedos e enfiou a língua em sua gruta quente que a esta altura molhada pelo desejo de ser possuída, exalava um líquido agridoce que facilitava o passeio da língua pelos grandes lábios e o excitava ainda mais.
            No clitóris, chupava, mordiscava, acariciava com os dedos e com os lábios aumentando o tesão. Ela, com as pernas, prendia a cabeça dele e com as mãos pressionava a cabeça junto da buceta e esfregava na cara dele que gemia e se masturbava.
            Completamente nus, ela agarrou seu pau e começou a chupar com desejo e volúpia. Chupava e beijava a boca dele dizendo sinta o gosto do seu pau.
            Quando já não se aguentavam mais, loucos de tesão e desejo, a morena apoiou-se no birô de costas para ele e disse: me come por trás, me fode gostoso e com força. Vai!
            Prontamente, segurando-a pela anca, ajeitou seu membro e antes de penetrá-la, passou o dedo indicador em seu ânus introduzindo-o fazendo movimentos de vai-e-vem. Ela gemendo loucamente disse: com o dedo não porra. Mete esse caralho gostoso. Me fode. Vai! Ele sorriu e obedeceu.
            Após alguns minutos de movimentos com estocadas fortes e rápidas, gemidos e respiradas fortes, ele para segurando a anca contra seu membro rígido e num momento de prazer intenso solta um impropério em gozo; ela com a mão presa entre as coxas solta um gemido abafado e como se estivesse em espasmos, contrai as coxas e solta, aperta e solta, até o instante em que relaxa, retira a mão do seu sexo e os dedos indicador e maior-de-todos umectados com o líquido lascivo do seu gozo, tatua um beijo nos lábios carnudos, libera um sorriso e diz: porra! Como isso é bom.
Sorriram sacanamente um para o outro sem culpas, apenas tesão.
            Ela perguntou pela calcinha e ele respondeu que seria uma lembrança daquele momento. Talvez único. Ela sorriu, ele também, vestiram-se e se despediram de mais um dia de expediente.

            A caminho de casa, ele não pensava em outra coisa. Quando no ônibus, volta e meia retirava a calcinha do bolso toda amassada na mão para ninguém notar, levava até o nariz e cheirava imaginando o sexo dela, ao tempo em que passava a língua para sentir o gosto delicioso e agridoce de sua buceta.   

terça-feira, 21 de novembro de 2017

VÔ VIVENO

VÔ VIVENO – Calango de Assis

NAR LETRA NUM SÔ DOTÔ
A CIENÇA NUM CONHECI
BEBO CACHAÇA E CELVEJA
NO BAR DAR MERETRIZ
VÔ CAINO E LEVANTANO
DA VIDA SÔ APRENDIZ

NUM PARO NUM CANTO QUIETO
NUM VIVO DI DISTRAÇÃO
VIVO PRÁ RIBA E PRÁ BAIXO
RELANDO O BUCHO NO CHÃO
FEITO CALANGO NO MATO
ATRAI DE OCUPAÇÃO

SÔ DURO FEITO PEDRA
SÔ FREIO DI ARRUMAÇÃO
NUM IRMUREÇO NUNCA
SÔ NASCIDO DESTE CHÃO
SÔ FI DA GOTA SERENA
NASCIDO LÁ NO SERTÃO

VIVO SEM PAI NEM MÃE
NUM TENHO NINHUM IRMÃO
MAI Ó MENO CUMA CEGO
CUM U’A CUIA NA MÃO
PERDIDO NO MEI DI FERA
ROGANO PUR UM TUSTÃO

ANDO SOZINHO NU MUNDO
AS VEI TRISTE, OUTRA NÃO
ANDO CUM SACO NAS COSTA
VIVENO SEM NINHU’A ILUSÃO
INGUÁ PADI NO MEI DI MISSA
PIDINO UMA BENÇÃO


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

DO TEMPO




DO TEMPO - André Maurício

OS NÚMEROS
SE ATROPELAM NUM
RELÓGIO
MADE IN LUGAR QUALQUER
QUE NÃO CONHEÇO

IRASCÍVEL ESTOU.

E ME PERCO
NESSA ALÓGICA
TEMPORALIDADE DO SER/TEMPO
QUE CORRÓI DE MIM
A VIDA
E ME FODE
(NÃO LITERALMENTE)

A ÚNICA CERTEZA
QUE TENHO
E ABSOLUTA –
- SIM, ÚNICA! PORQUE OS
DEUSES , ACERTADAMENTE, NOS
NEGARAM TAL PERCEPÇÃO

É A CERTEZA DE MINHA
INCAPACIDADE FRUSTRANTE
DE ACOMPANHAR O TEMPO

NÃO CONSIGO. SIMPLESMENTE!

A MEU VER
ERA MELHOR  
O TEMPO MEDIDO
PELO TIC-TAC DE UM RELÓGIO
SUSPENSO NUMA
PAREDE QUALQUER

quinta-feira, 27 de julho de 2017

UM CHEIRO FORTE DE SOLIDÃO



UM CHEIRO FORTE DE SOLIDÃO


ANDO ASSUSTADO
MINHAS FRÁGEIS CRENÇAS
QUEDARAM-SE
ANTE OS TEMORES
TANTOS
MEUS DEUSES!
QUE SERÁ DE TI,
SEM MINHAS CRENÇAS FRÁGEIS?
QUE SERÁ DE MIM?

ULTIMAMENTE
ANDO SÓ
COM CHEIRO DE
SOLIDÃO

UM CHEIRO FORTE DE SOLIDÃO


terça-feira, 30 de maio de 2017

SURURU FRESCO

SURURU FRESCO


SURURU FRESCO
SURURU FRESCO

CHAFURDA A LAMA
MEXE, TIRA
DESCASCA E CANTA
OLHA O SURURU
SURURU FRESCO

DA LAGOA
EMPOBRECIDA
NA CANOA
SEM CAMISA
PRÁ FAZER O PÃO
COM SURURU FRESCO

NA FAVELA
EMBRUTECIDA
VIDA!
VIDA FUDIDA
PRÁ PESCAR O SURURU

SURURU FESCO

MERGULHA NA LAGOA
SE MELA, SE LAMBUZA
ENFIA A MAO NO CHÃO
PRÁ PESCAR NA LAMA O

SURURU FRESCO

SURURU FRESCO

terça-feira, 21 de março de 2017

USO DOS SOFISMAS PARA FAZER SER O QUE NÃO É


USO DOS SOFISMAS PARA FAZER SER O QUE NÃO É


ESTOU CANSADO DESTA BAIXEZA
DESTE POUCO MERECER
DESTA IMUNDÍCIE PURA
DESTE NADA FAZER
TENHO CULPA DISSO TUDO
MAS TAMBÉM NÃO POSSO SER
RESPONSÁVEL SOZINHO
POR ESTA PODRIDÃO
QUE NÃO CESSA DE CRESCER

ELES JOGAM A FALÁCIA
DE QUE SÃO ASSIM
POR QUE SOU ASSIM
COMO UM REFLEXO DE ESPELHO

ISSO É MENTIRA
É JOGO DE FELAÇÃO
POIS SOU FILHO DO POVO
E NÃO USO DESSA MÃO
ESCUSA, FRAUDULENTA
PARA ASSERÇÃO DO NÃO
E PARA FIM DE CONVERSA
QUEM CONJURA COM O NÃO
NÃO É OUTRA COISA
SENÃO UM


LADRÃO