Quem sou eu
- Andre Maurício
- Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
EST IRATUS HOMO - O HOMEM REVOLTADO
EST IRATUS HOMO (O HOMEM REVOLTADO)
SOBRE SUA
BOCA IMUNDA
DEFECAREI EM
SEUS TENTÁCULOS MORIBUNDOS
VILIPENDIAREI
TEUS ESPAÇOS CEDIÇOS
ONDE NA
PENUMBRA AS PUTAS E OS PUTOS MIJAM E GOZAM
EXTIRPAREI
SUAS VÍCERAS FÉTIDAS E PUTREFATAS
E LANÇAREI
NOS MONTUROS, LATRINAS
E ESGOTOS
ESCUROS
E PARA
SACIAR MINHA SEDE
BEBEREI SEU SANGUE
RUBRO E VISCOSO
QUE
ESCORRERÁ DE MINHA BOCA
IRASCÍVEL E
SEDENTA
E APÓS
SACIADA MINHA SEDE
CUSPIREI
VERMES ASQUEROSOS
SOBRE SUAS PÚSTULAS
ESTUPRAREI
SEUS TÍMPANOS
COM ALARIDOS
E GEMIDOS
ESTÉRICOS E AGONIANTES
Ó IMUNDA VACA
IMUNDA
Ó URBE
VIL
LASCIVA
E TIRÂNICA
Poeticamente: ME, COMIGO!
Poeticamente: ME, COMIGO!: ME, COMIGO! “A astúcia de Baco me seduz Num frenesi embriagatório E eu me rendo Ao sabor do vinho Implacável é a consciência...
ME, COMIGO!
ME, COMIGO!
“A astúcia de Baco me seduz
Num frenesi embriagatório
E eu me rendo
Ao sabor do vinho
Implacável é a consciência
Da noite com o seu silêncio voraz
“Back to black”
A canção angustiada da Amy
Devora a minha solidão
Aos goles e mais goles
O vinho gelado
Desce vertiginosamente
Goela abaixo
Ao som do pen-drive
Vindo da pequena caixa de som”
(Solidão sedada – Geo
Santos)
Moro no oitavo andar de um prédio num bairro residencial e às
vezes, na varanda, fecho os olhos e me vejo pairando sobre os telhados da
cidade. Cidade esta que me enclausura em mim mesmo. E fico assim em minha
solidão.
Aos vizinhos há apenas alguns boa noite e boa tarde num
simulacro de boa vizinhança e educação. Nada além disso. Não que eu seja o tipo
do cara chato, metido ou esnobe, não, apenas tomei para mim uma introspecção e
carrego-a comigo. O terapeuta até já tinha me pedido para ser mais expansivo,
menos burocrático, mais dado às emoções e ao que os relacionamentos têm de
melhor: os abraços e os sorrisos. Estou tentando – é o que tenho a dizer.
Antenas parabólicas e Arranha-céus misturavam-se com o
horizonte plúmbeo no início da noite dificultando a definição do começo e fim
de cada um.
Voltei-me para dentro e observei a sala em silêncio. Vi as paredes
nuas e pensei em comprar um ou dois quadros. Quem sabe a colorida plasticidade
de um Romero Britto ou a escuridão poética de um Chen Bo. Não! Realidade.
Realidade. Qualquer dia entro em um shopping e compro uma tela daqueles artistas
que pintam e parece que os quadros são produzidos em série porque todos tem o
mesmo motivo abstrato aprendido em revistas que ensinam a pintar.
Lembrei-me de um vinho que havia comprado dias antes através
da indicação de um amigo. Na cozinha, peguei uma taça, coloquei um pouco de
vinho, senti o aroma e o sorvi para apreciar o sabor. Voltei à sala e
deixei-a a meia luz. Enquanto no pen drive rolava a angústia de Amy, dirigi-me
novamente a varanda e fiquei a observar o infinito, saboreando o vinho tinto.
O horizonte, como sempre, mostrava-se taciturno.
Observando os prédios vizinhos com suas janelas abertas ou
fechadas, pensei quais vidas se escondiam por trás das cortinas. Era como se
estivesse a procurar algo para me distrair. O telefone vibrava insistentemente.
Desliguei-o. Queria estar comigo e só.
Meus olhos foram direcionados para uma janela onde um casal,
que a princípio parecia estar dançando, desenvolviam movimentos muito
particulares e sedutores. Recuei um pouco e me sentei para observar sem ser
visto.
O vinho, a música, o casal em movimento, a libido, o jeans sob
pressão, as mãos tal veludo, deslizando sobre o peito nu como em um balé; os
pelos eriçando-se ao toque da derme; as narinas abrindo-se e fechando-se em sincronia,
os lábios úmidos, a boca em sons guturais e o corpo exalando um olor somente
perceptível aos adoradores de Vênus. Neste momento as mãos em movimento
pulsátil de vai-e-vem; os olhos focando o infinito na tentativa de domar o
tempo e perpetuar aquele instante; o torso contorcendo-se em movimentos
sinuosos para acomodar-se a velocidade da respiração e mãos - frenéticas, em
movimentos rápidos, traçando um diálogo entre os olhos, a boca e o casal,
faziam a adrenalina insuflar minhas veias, faziam as pernas contorcerem-se, e o
corpo... e o movimento das mãos em sim e em não e ao fim daquele balé
solitário, a emoção... em jatos.
Autor: André
Maurício Pereira
Ano: 2015
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terça-feira, 16 de agosto de 2016
terça-feira, 9 de agosto de 2016
ENTENDA
ENTENDA
-TENHO MEDO.
-MAS NÃO HÁ O QUE TEMER.
-NÃO SEI. NÃO SEI. ISSO TUDO ME
ASSUSTA. MAS...
...AO MESMO TEMPO EXCITA-ME.
MEU CORPO... SUA BOCA
-CALMA! APENAS DEIXE O CORPO FALAR
POR VOCÊ, SUSSURRAR.
-EU SEI QUE O CORPO NÃO TEM RECEIOS,
OU MEDOS, OU...
-SSSSSSHHH! NÃO DIGA NADA. APENAS...
ABRACE-ME!
-NOSSOS PENSAMENTOS SÃO... COMO ALGEMAS
E NOS APRISIONAM AOS NOSSOS MEDOS.
-NÃO OS DEIXE FALAR POR SI.
-TUDO BEM!
-FECHE OS OLHOS E SINTA E OUÇA E
RESPIRE AO SOM DO CORAÇÃO. SOMOS
APENAS EU... VOCÊ... NOSSO DESEJO... E
COMO CÚMPLICE ESTE QUARTO, NOSSOS OLHOS
E NOSSA PELE ARDENTE.
ENTENDA QUE NÃO HÁ PECADO NO AMAR.
ADEMAIS,
QUEM PODERÁ NOS JULGAR? OU,
QUEM PODERÁ NOS CULPAR?
SE O QUE QUEREMOS
É SIMPLESMENTE
AMAR
terça-feira, 2 de agosto de 2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
A DECRÉPITA URBANICIDADE APREME DESPÓTICA O EU (NULO)
A DECRÉPITA URBANICIDADE APREME DESPÓTICA O EU (NULO)
DA JANELA DE
UM ÔNIBUS QUALQUER
ENQUANTO O
CASARIO DORME SOB
O PORRE DA
NOITE ANTERIOR
OBSERVO
O DIGLADIO
MORTAL
ENTRE VIDAS
ASSEMELHADAS
GARIS E
URUBUS CHAFURDAM
NA PRAIA DA AVENIDA
EM MEIO AO
LODAÇAL
CRIADO A
PARTIR DA PODRIDÃO
URBANOCAÓTICA
DA URBANOCAÓTICA
MISÉRIA
O SALGADINHO
FEDE
NEM AS PUTAS
AGUENTAM MAIS
DESCAMBO DO
ÔNIBUS
NA SINIMBU -
SITIADA
E ESCARRO
MINHA REVOLTA
EM SUAS
PEDRAS
PERCORRENDO
LENTAMENTE
OS TRILHOS
URBANOTORTOS
DE MINHAS
TORTUOSAS VIAS
POVOADA DE
VERMES
SORRATEIROS
E USURPADORES
ADVINDOS DA
ONISCIENTE
MÍDIA DO
CAOS
QUERO O
PRAZER MUNDANO
MESMO QUE
SEJA O DA MONTE PIO
ROBOTIZADO
ENCLAUSURO-ME
- HIPOCRITAMENTE
ALIVIADO -
EM MEU BIRÔ
NOS BRAÇOS
DA INÉRCIA
COMO MINHA RAPARIGA
E O
SALGADINHO...
NEM AS PUTAS...
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