Quem sou eu

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Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

ENTENDA

ENTENDA


-TENHO MEDO.
-MAS NÃO HÁ O QUE TEMER.
-NÃO SEI. NÃO SEI. ISSO TUDO ME ASSUSTA. MAS...
 ...AO MESMO TEMPO EXCITA-ME.
MEU CORPO... SUA BOCA
-CALMA! APENAS DEIXE O CORPO FALAR POR VOCÊ, SUSSURRAR.
-EU SEI QUE O CORPO NÃO TEM RECEIOS, OU MEDOS, OU...
-SSSSSSHHH! NÃO DIGA NADA. APENAS... ABRACE-ME!
-NOSSOS PENSAMENTOS SÃO...  COMO ALGEMAS
 E NOS APRISIONAM AOS NOSSOS MEDOS.
-NÃO OS DEIXE FALAR POR SI.
-TUDO BEM!
-FECHE OS OLHOS E SINTA E OUÇA E RESPIRE AO SOM DO CORAÇÃO. SOMOS
 APENAS EU... VOCÊ... NOSSO DESEJO... E
 COMO CÚMPLICE ESTE QUARTO, NOSSOS OLHOS
 E NOSSA PELE ARDENTE.
 ENTENDA QUE NÃO HÁ PECADO NO AMAR.
 ADEMAIS,
 QUEM PODERÁ NOS JULGAR? OU,
 QUEM PODERÁ NOS CULPAR?
 SE O QUE QUEREMOS
 É SIMPLESMENTE

 AMAR

ENTENDA


segunda-feira, 11 de julho de 2016

A DECRÉPITA URBANICIDADE APREME DESPÓTICA O EU (NULO)



A DECRÉPITA URBANICIDADE APREME DESPÓTICA O EU (NULO)

DA JANELA DE UM ÔNIBUS QUALQUER
ENQUANTO O CASARIO DORME SOB
O PORRE DA NOITE ANTERIOR
OBSERVO
O DIGLADIO MORTAL
ENTRE VIDAS ASSEMELHADAS
GARIS E URUBUS CHAFURDAM
NA PRAIA DA AVENIDA
EM MEIO AO LODAÇAL
CRIADO A PARTIR DA PODRIDÃO
URBANOCAÓTICA
DA URBANOCAÓTICA
MISÉRIA

O SALGADINHO FEDE
NEM AS PUTAS AGUENTAM MAIS

DESCAMBO DO ÔNIBUS
NA SINIMBU - SITIADA
E ESCARRO MINHA REVOLTA
EM SUAS PEDRAS
PERCORRENDO LENTAMENTE
OS TRILHOS URBANOTORTOS
DE MINHAS TORTUOSAS VIAS
POVOADA DE VERMES
SORRATEIROS E USURPADORES
ADVINDOS DA ONISCIENTE
MÍDIA DO CAOS

QUERO O PRAZER MUNDANO
MESMO QUE SEJA O DA MONTE PIO

ROBOTIZADO
ENCLAUSURO-ME
- HIPOCRITAMENTE ALIVIADO -
EM MEU BIRÔ
NOS BRAÇOS DA INÉRCIA
COMO MINHA RAPARIGA

E O SALGADINHO...
NEM AS PUTAS...

A DECRÉPITA URBANICIDADE APREME DESPÓTICA O EU (NULO)


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Há alguns anos, quando perambulava pelos sertões e observando a magnanimidade do eu (homem) e a pusilanimidade do mesmo homem, características que, contraditoriamente, orbitam o mesmo espaço e, estranhamente, completam-se; e, ainda,  consubstanciada pela harmonia perfeita do cosmos - leia-se aqui elementos e matéria e seres e inteligência e vida e morte, imaginei e ainda imagino, como um "big bang" pode redundar numa perfeição, numa cadeia evolutiva, num mimetismo imperceptível ao olhar humano; como de uma fórmula matemática pode surgir equações e inequações de tantas cores e modos e super e alter e egos distintos e complexos e numa perfeita interação que a princípio soa inexplicável.

A partir destes questionamentos pensei, à época, escrever algo com um viés religioso. E, de fato, lembro que escrevi alguns poemas e, infelizmente, perderam-se juntamente com o disquete que os guardava nessas idas e mudanças e vindas que damos em busca de um futuro; ou será de um fim? Não sei. O que sei é que remexendo alguns papeis achei dois. Dei uma remodelada neste que posto aqui. É simples, mas espero que gostem.

De mim, tenho que retomarei o projeto de escrever mais alguns. 

Venho te pedir


quarta-feira, 13 de abril de 2016

POESIA EM FOCO






































Exposição fotográfica Poesia em foco no Hospital Universitário, Maceió/AL, de 12/04 até 12/05/2016, mostrando o talento de Arthur Celso, Luna Gavazza e Ana Cristina. 

HOJE TEM CONFRARIA? TEM, SIM SENHOR!


Hoje, 13/04/2016, tem recital da Confraria no SESC - Poço, em Maceió/AL, que junto com a alegria das meninas e meninos da 3ª idade, a partir das 14:00, faremos uma tarde de muita alegria, sorrisos e poesia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O ESPETÁCULO DA DESRAZÃO OU IGNOMÍNIA


O ESPETÁCULO DA DESRAZÃO OU IGNOMÍNIA

(A TODOS AQUELES QUE SÃO EXPULSOS DE SUAS CASAS E NUM EXÔDO, PARTEM EM BUSCA DA TERRA PROMETIDA)

A LEVA
BALANÇA SOBRE A LÍNGUA LÍQUIDA
DE MARES VERMELHO FOGO
EM NAUS PAUPÉRRIMAS
FORJADAS A ESPERANÇA E DOR
DE HOMENS E MULHERES
E CRIANÇAS -  TAMBÉM
VILIPENDIADOS
NO VENTRE FÉRTIL
DO SOLO NÃO GENTIL
POR APÁTRIDAS
QUE NOS PORÕES E VIELAS DA
URBANIDADE DECRÉPITA
NEGOCIAM
FELICIDADE
POR MÍSEROS... POR...
PELA... INSENSIBILIDADE METÁLICA
ARRAIGADA QUE ESTÁ
NA INCAPACIDADE NAUSEANTE
DE O HOMEM
SER AQUILO QUE É
...

NO VAI-E-VEM
DO MAROLEAR
EM MARES NUNCA DANTES
NAVEGADOS
ALIMENTAM-SE
DO QUE SERÁ
...

E NO DESTINO
AQUELE QUE FICA
- NÃO MAIS É,
HUMILHADO
ANTE O CALIBRE AUTOMÁTICO
DE UMA SÍLABA METÁLICA
QUE APONTA
O ÁPTO E O INÁPTO
E PROTAGONIZA
O ESPETÁCULO
DA ABJETA
DESRAZÃO