Quem sou eu

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Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

NUNCA QUIS CAUSAR DOR

NÃO A MIM
NÃO SE CAUSA DOR A SI MESMO
A NÃO SER POR COMPAIXÃO

NÃO HÁ COMPAIXÃO
NÃO HÁ

NÃO A DOR
POR NÃO SABÊ-LA MINHA

O QUE SOU?
O QUE TENHO?
O QUE QUERO?
NÃO SEI.
NÃO SEI?
NÃO!?

SENDO ASSIM
COMO SENTIR POR AQUILO QUE NÃO POSSUO
COMO TER POR AQUILO QUE NÃO SOU

É ASSIM COMO DIZEM, POR FIM...

TODAS AS COISAS TERMINAM.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O REFLEXO PARA O ESPELHO
É VOCÊ
QUE DO LADO DE LÁ
O VÊ AO CONTRÁRIO
E DO LADO DE DENTRO
VOCÊ NÃO SE VÊ

DEMOCRACIA!?

Em Trípoli, Líbia,às vezes, os jovens guerrilheiros se reúnem sob uma tamareira ao lado da piscina vazia para se divertir ... Quando chove, eles entram para jogar totó em uma sala de jogos improvisada dentro do seu local de encontro preferido, uma casa saqueada onde um dos filhos de Muamar Kadafi morava.

A casa é uma enorme cúpula de prazeres de um andar, localizada em um complexo de jardins bem cuidados onde os irrigadores continuam ligados, semanas depois que o antigo proprietário, Muatassim Kadafi, morreu logo após ser capturado pelos rebeldes.

A mansão fica escondida da vizinhança ao redor por muros de aço e concreto, e seus luxos incluem uma academia de ginástica de alta tecnologia e um banho turco privado ... e um teto pontilhado por centenas de pequenas luzes, imitando o céu noturno.

"Só vendo o lugar para acreditar", disse Moad Farhat, um estudante de 21 anos que se tornou rebelde..., "Ele era filho do presidente."


Neste mundo globalizado a realidade dos nossos "NÃO MENOS DITADORES" dos três poderes "CONSTITUÍDOS" compartilham a mesma realidade.

Estamos em 2012 precisamos fazer uma limpeza.

Poeticamente: BALADAS

Poeticamente: BALADAS: QUANDO A DOR, COMO A NOITE QUE CAI, EXPRIMIR SEU LAMENTO ÚLTIMO UM LAIVO DE SANGUE ESCORRERÁ DE MEUS OLHOS E DESLIZARÁ SOBRE A LÁPIDE ...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

BALADAS

QUANDO A DOR, COMO A NOITE QUE CAI,
EXPRIMIR SEU LAMENTO ÚLTIMO

UM LAIVO DE SANGUE
ESCORRERÁ DE MEUS OLHOS
E DESLIZARÁ SOBRE A LÁPIDE
NUM FILETE -
IMENSA É A DOR -
E DESPENCARÁ NO VAZIO

E NO SOLO
DEIXARÁ SUA MÁCULA
TORNANDO-O ESTÉRIL
E OS CORPOS DALI
TOMBARÃO TANTOS

QUE UMA PÁ, SOMENTE,
NÃO SERÁ SUFICIENTE PARA
RECOLHÊ-LOS A TODOS

DA MORTE NADA
TEMO
A NÃO SER
A DOR DA PERDA

BALADAS

A NOITE
OS OLHOS NAVEGAM
NA EDÍCULA
QUENTE E ESCURA
OBSERVANDO O SILÊNCIO
E NA PENUMBRA
LEMBRANÇAS SE
FORMAM E SE
ESVAEM
AO SOPRO DA
RESPIRAÇÃO
NA PAREDE EM FRENTE: UM QUADRO
UM RELÓGIO À DIREITA
UM VASO SOBRE A MESA
DE CANTO
A CORTINA PESADA
ENTREABERTA
NO VASO FLÔRES DE PLÁSTICO
NA MESA INCRUSTAÇÕES A FACA
DE UMA VIDA QUE NÃO QUER SER ESQUECIDA
NEM LEMBRADA
APENAS
REVISITADA
COMO UMA
FOTOGRAFIA VELHA
ENEGRECIDA
E ESQUECIDA
NO FUNDO DE UMA
CAIXA DE SAPATOS...

NO FUNDO DE UMA GAVETA.

BALADAS

CAMINHEI SÓ
POR SOBRE AS FLORES DO JARDIM
NÃO SENTI SEUS ESPINHOS
GOTAS DE SANGUE MACULARAM
SUAS PÉTALAS
E MESMO ASSIM
NA DOR
PERMANECERAM BELAS
COMO DEVEM SER

RETRATOS URBANOS

RETRATOS URBANOS

ESCAPES COSPEM.
BOCAS ENGOLEM.
OLHOS MIRAM FAIXAS

TORTUOSAS VIAS
ESCONDEM-SE VIDAS
POR TRÁS DOS MUROS.

BALADAS

...E AGORA
ROGO AS PALAVRAS
SUA MAIOR DOR – O SILÊNCIO.

BALADAS

CHORO
A DOR DO NÃO
EXISTIR.
EM SILÊNCIO,

OBSERVO AS MOLDURAS VAZIAS.
A SÓS ESTÃO.
EM SILÊNCIO, CHORO O NÃO,
TAMBÉM, COMO DOR,
DA NÃO EXISTÊNCIA,
DO NÃO ESTAR,
DO NÃO.

BALADAS

CAMINHO SOBRE
O NADA
INFINITAMENTE ALÉM
DE MIM
É ONDE ME
ENCONTRO, QUANDO
O NÃO
É DOR.

BALADAS

AS FLÔRES CHORAM
A SORTE DE UM AMOR PERDIDO
AS MÃOS DANÇAM AO VENTO
NUM ACENO
OS OLHOS ESCONDEM MOLHADOS
A DOR

DO NÃO.
A DOR PELA DOR.

COMO DEFINIÇÃO: DOR

VISÃO DE UM POR DO SOL

OBSERVO O ESPAÇO
INFINITO,
TACITURNO,
PELO VIDRO
QUASE OPACO
DA JANELA.
AINDA É DIA
E O SOL TRAÇA
CONTORNOS ARQUITETÔNICOS
AINDA DIVISÍVEIS
PELO VIDRO
QUASE OPACO
DA JANELA.
DISTRAIO-ME.
AS HORAS PASSAM.
JÁ É NOITE.
O NEGRUME EXTERNO
PRODUZ UM ANTEPARO
INFINITO,
TACITURNO,
NO VIDRO
QUASE OPACO
DA JANELA