Quem sou eu

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Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

UM SILÊNCIO TEMEROSO
ENVOLVE-ME.
A SALA, ANTE O MEU TEMOR,
ASSEMELHA-SE AO PULSAR DE MINHAS TÊMPORAS

LIGO A TV.
AS CORES
CONFUNDEM-ME.
LIGO O RÁDIO.
AS VOZES
MISTURANDO-SE;
OS SONS
DO TELEJORNAL,
DO RÁDIO.

ESTOU TRÊMULO.
ÁGUA – SORVO UM GOLE,
MINHA BOCA AMARA
A LÍNGUA RESSECADA

SINTO-ME DÉBIL
PRECISO SAIR.
SINTO-ME DÉBIL

UM CIGARRO - NÃO TENHO O HÁBITO DE FUMAR
A PORTA
ESTA TRANCADA
QUEREM
MANTER-ME PRESO.
PRECISO SAIR

SINTO-ME DÉBIL

AS PAREDES
PARECE QUE VÃO ME COMPRIMIR
GRITO

MÃOS TENTAM ME SUFOCAR
GRITO

TALVEZ RESISTA
NÃO
NÃO TENHO FORÇAS

OUÇO VOZES., GRITOS.
MÚSICA NA TV – MORTES NO JORNAL
AS CORES
A PORTA

A PORTA
PRECISO SAIR
ESTÁ TRANCADA
A CHAVE, NÃO SEI

SINTO-ME DÉBIL
UM CIGARRO – NÃO TENHO O HÁBITO DE FUMAR
PRECISO SAIR
A PORTA
RISOS
SONS
ODOR
MÃOS QUE ME SUFOCAM
GRITO
DOR
SANGUE EM MINHAS MÃOS
NARINAS
COR
GRITO
ODOR
PRECISO SAIR

SINTO-ME DÉBIL
A PORTA FECHADA
A JANELA
A JANELA
DIRIJO-ME A ELA
SALTEI
O VENTO EM MEU PEITO
NÃO SENTI A MIM
ESTOU SUSPENSO
SORRI
SINTO-ME MELHOR
NÃO TEM MÃOS
A ME SEGURAR
NÃO OUÇO VOZES
GRITOS
NÃO SINTO DOR
ODOR
A COR
O CHÃO
O CHÃO SE APROXIMA
UM SOM ABAFADO
UM CORPO
SANGUE SINTO-ME FRACO
OS OLHOS SEM DOR
A MORTE
POR FIM

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Breves comentários

Já me debrucei por vezes sobre a retórica Kantiana (crítica da razão pura, critica da razão prática)é um dos meus mais ferrenhos desejos desvendar as palavras por trás daqueles textos. Que decepção. Por mais que invista sobre aquelas leituras parece-me que sou incapaz de compreendê-los. Não. Creio que não sou tão incapaz, mas vou vazer aqui uma reflexão: será que todo o tempo que despendi e não consegui compreendê-los, no todo, o sistema Kantiano, não será porque ele não é bastante claro nas suas reflexões do ponto de vista prático. Senão vejamos: a que me interessa saber os princípios que norteiam a formaçã da razão. A mim não é senão um complexo de experiências práticas e conhecimentos recebidos através dos relacionamentos interpessoais.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Paisagem

O sol caía lento
naquela tarde
um vazio e um afobante silêncio
preenchiam o lugar
uma brisa leve
soprava rasteira
levantando
uma poeira fina
tal neblina
em manhã invernal

O capim melancólico
balançava tristemente
emitindo um som
que insistentemente
reproduzido
tornava-se enfadonho

Esparsas
as poucas árvores
de poucas folhas
transmitiam
uma sensação de incompletitude
empobrecendo o lugar

Mas, contraditoriamente,
a composição pictórica do ambiente
moldada segundo
(pseudos?)
reflexões psicológicas do eu,
enquanto sentimento,
era agradável a mim.

"Queria que o tempo não levasse embora
os prazeres do dia."

sábado, 31 de janeiro de 2009

O AÇO TORNADO DEUS

O aço sibilou no espaço frio, terrificante emitindo um sibilo augúrio, agoniante. Em movimentos cortantes, rápidos, violentou, dilacerou o tênue cordão que une vida e morte, interrompendo, subtraindo violentamente uma vida. Igualou-se a Deus. O corpo exangue tombou de chofre no calçamento quente em agonia, esvaindo-se em sangue, chorando sobre a pedra suas dores e alegrias que ainda haveriam por vir. Os olhos aterrorizados observam atônitos a carne cortada feito fato de bode, abrindo-se, expondo-se, mostrando a frágil fortaleza rompida, buscando além de si uma ponta de meada, um fio que venha içá-lo do abismo em que foi jogado. As narinas bufantes como de cavalgaduras em tropel, o corpo contorcido em dor, a cara no chão, o sangue misturando-se a areia, as unhas crispando o chão, o corpo balbuciando seus lamentos últimos, a boca em choro, em gemidos, vociferando impropérios, chorando a dor em lamentos, agonizando. Tudo isso era sinônimo de um fim que iniciava e parecia não ter fim, em função da dor. Que estupidez, uma vida esvaindo-se assim de forma tão imbecil, tão banal. Em dor. Dor.
O ajuntamento que se formou ao derredor, por catequese pseudo-social, chorava a dor, perquirindo-se, maldizendo o infortúnio, compadecendo-se do pobre diabo que agonizava, gritava a esmo por um socorro que teimava em não chegar.
O tempo seguia seu curso sem “se”, sem “senão”. O frágil corpo definhava ao sol escaldante sobre o calçamento quente, em brasa. Não emitia mais palavras, apenas grunhidos. Até o momento em que seus olhos apenas fecharam, suas unhas crisparam o chão e sua boca silenciou em seu último sussurro. Seu corpo silenciou em uma morte estúpida. A turba como que por inércia foi silenciando, dispersando-se, afinal acabara o espetáculo, não veio a imprensa, não veio o socorro. Todos se foram. Ficou um corpo. No meio-fio encostado em um poste, acocorado, um corpo com rosto sofrido observava em silêncio, sem lágrimas em seus olhos, a tez carcomida pela ação incessante, inclemente, despótica e voraz do tempo, sem vingança em seus olhos e dedos entrelaçados como que em oração, rogando um perdão, e consolando-se a si mesmo pela ausência, esperava, agora sozinho, pelo rabecão.

sábado, 20 de setembro de 2008

PEQUENO POEMA ESCRITO A LUZ DE VELA

ENQUANTO
MEUS OLHOS MOSTRAM
O RELÓGIO
ETÉREO
DITANDO SOBRE O
TEMPO
RISCO UM FÓSFORO
ACENDO
UMA VELA
SOBRE O CHÃO
DISPONHO OS FÓSFOROS
À DIREITA
SOBRE O CHÃO
DOBRO
AO MEIO UMA
FOLHA DE PAPEL
OFÍCIO
DE POSSE DE UMA
CANETA ESFEROGRÁFICA
DEITO-ME NO SOFÁ
E PENSO EM
SOBRE O QUÊ
PRA QUÊ
PORQUÊ
O QUÊ
ESCREVER
MAS EM NADA
PENSO
MINHA MENTE
ESTÁ VAZIA
MEU CORPO
ESTÁ INERTE
E
ENQUANTO ISSO
NO QUARTO
AO LADO
MINHA IRMÃ
DORME
COM A PORTA
ABERTA
E
ENQUANTO ISSO
NAS RUAS
AO LARGO
A CIDADE DORME
COM AS PORTAS
FECHADAS
MINHA MENTE
ESTA FECHADA
E
ASSIM
DISPONDO A
CANETA ESFEROGRÁFICA
SOBRE O CHÃO
APAGO A VELA
E DURMO

SONHOS

POR VEZES
DOU VOLTAS EM TORNO DE MIM
POR VEZES
DESEJO REVER MOMENTOS

E DO PASSADO
VEJO SURGIR FANTASMAS DE MINHA INFÂNCIA

QUE ME LEVAM A PENSAR

POR VEZES

EM COMO O TEMPO
MOLDA OS NOSSOS SONHOS

EM COMO O TEMPO
ACOMODA OS NOSSOS SONHOS

sábado, 13 de setembro de 2008

NEM SÃO AZUIS OS SEUS CÉUS

ENQUANTO A NOITE...

ENQUANTO SOMBRAS
PERAMBULAM SEM DESTINO
POR ENTRE RUAS E VIELAS
SEM TRAÇAR CAMINHOS

ENQUANTO SONHOS
DIVAGAM SEM DIREÇÃO

DIRIJO MEU OLHAR
PARA UM BANCO DE PRAÇA
EM BUSCA DE PROTEÇÃO E ABRIGO

NÃO SÃO FLÔRES QUE ENFEITAM
CASAS DE PAPELÃO

NEM SÃO AZUIS OS SEUS CÉUS
NEM SÃO AZUIS OS SEUS CÉUS

sábado, 26 de julho de 2008

“ELEMENTOS PERNICIOSOS À ORDEM SOCIAL PROCURAM INFILTRAR NO MEIO OPERÁRIO IDÉIAS NOCIVAS A PAZ PÚBLICA”

SOU

MEIO,

SOU

SOCIALISTA.

SOU

NOCIVO

A

MIM

MESMO

?

VISÃO DE UMA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL NUMA QUINTA-FEIRA À TARDE

O QUE ERA ESTÁTICO
POR UM INSTANTE
ASSOMOU PARA O
MOVIMENTO
EXTRAPOLANDO OS LIMITES
DA MACROVISÃO ENCARCERADA
EM SUA MICROSCÓPICA
PERCEPÇÃO ÓTICA DA
LÓGICA.
A LIMITITUDE DAQUILO
QUE SE QUER VER
CEDEU LUGAR, OU
MELHOR, SUBJUGOU-SE
ANTE A “BARBARIE”
CONCEPTUAL DAQUILO
QUE NÃO SE QUER VER
A AÇÃO PLURAL
O ESPAÇO COMO AÇÃO
SINÔNIMO DE MOVIMENTO
A EXACERBAÇÃO DA
UNIDIMENSIONALIDADE
A EXTRAPOLAÇÃO DA BASE
GEOGRÁFICA UNITÁRIA
CHAPADA
A RUPTURA DO LACRE
DA IMOBILIDADE
EMERGIU DO OBSCURANTISMO
GUARNECIDO PELA
MOLDURA ESTÁTICA
PARA O ESPAÇO
COMO MOVIMENTO
PARA O INSTANTE
COMO AÇÃO
SINÔNIMO DE MOVIMENTO

segunda-feira, 7 de julho de 2008

SUICÍDIO

SILÊNCIO.
ESTÁ VAZIO O ESPAÇO
QUE FALA POR SI

SÓ.


VAZIO
ESTÁ SILENCIOSO O ESPAÇO
QUE FALA POR SI



RETRATOS URBANOS

CARROS CRUZAM A FAIXA
PEDESTRES AVANÇAM O SINAL.
O GUARDA IMÓVEL, NADA FAZ.
OCORRE O EVITÁVEL


VERMELHO.
DROGA. FECHOU.
LIMPAR O PÁRA-BRISA MOÇO?
MAÇÃ. CHICLETE. DROPS, DROPS. CHAVEIRO.

VERDE.
VAI! GRAÇAS A DEUS.

DO CONCRETO DAS CIDADES
IDÉIAS BROTAM.
PROTESTOS SÃO CUSPIDOS EM NOSSOS OLHOS.
ORAÇÕES DOS OPRIMIDOS
ESPREMIDAS NA INCOERÊNCIA URBANA.

AÍ, “VÉIO”.
VAMO TE LIMPÁ, CARA.

sábado, 28 de junho de 2008

CIDADE

AVENIDAS SÃO ABERTAS
ESPAÇOS SÃO CONQUISTADOS
COLUNAS SÃO ERGUIDAS
ESQUINAS SÃO MOLDADAS
POSTES SÃO ILUMINADOS
RUAS SÃO CALÇADAS
CASAS SÃO ARROMBADAS
E CARROS VÃO. . .
. . . E VEM CARROS
CASAS SÃO CONSTRUÍDAS
ÁRVORES SÃO DERRIBADAS
SEMÁFOROS SÃO ACESSOS
FAIXAS SÃO PINTADAS
MUROS SÃO PICHADOS
CARTAZES SÃO COLADOS
CARROS SÃO ROUBADOS

O QUE PENSAM OS HOMENS?. . .
. . . PENSAM O QUÊ?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Poetiquamente

Poetiquamente está no ar com intenção exclusiva de divulgar meus trabalhos poéticos, por entender que a poesia não deve ser guardada no fundo de uma gaveta ou em uma caixa de sapatos, ao contrário, deve ser divulgada para que possa fazer rir, fazer chorar, incitar a crítica, ao conhecimento e blá, blá, blá e blá.