Quem sou eu
- Andre Maurício
- Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.
quinta-feira, 27 de julho de 2017
terça-feira, 30 de maio de 2017
SURURU FRESCO
SURURU
FRESCO
SURURU FRESCO
SURURU FRESCO
CHAFURDA A LAMA
MEXE, TIRA
DESCASCA E CANTA
OLHA O SURURU
SURURU FRESCO
DA LAGOA
EMPOBRECIDA
NA CANOA
SEM CAMISA
PRÁ FAZER O PÃO
COM SURURU FRESCO
NA FAVELA
EMBRUTECIDA
VIDA!
VIDA FUDIDA
PRÁ PESCAR O SURURU
SURURU FESCO
MERGULHA NA LAGOA
SE MELA, SE LAMBUZA
ENFIA A MAO NO CHÃO
PRÁ PESCAR NA LAMA O
SURURU FRESCO
SURURU FRESCO
terça-feira, 21 de março de 2017
USO DOS SOFISMAS PARA FAZER SER O QUE NÃO É
USO DOS SOFISMAS PARA FAZER SER O QUE
NÃO É
ESTOU CANSADO DESTA BAIXEZA
DESTE POUCO MERECER
DESTA IMUNDÍCIE PURA
DESTE NADA FAZER
TENHO CULPA DISSO TUDO
MAS TAMBÉM NÃO POSSO SER
RESPONSÁVEL SOZINHO
POR ESTA PODRIDÃO
QUE NÃO CESSA DE CRESCER
ELES JOGAM A FALÁCIA
DE QUE SÃO ASSIM
POR QUE SOU ASSIM
COMO UM REFLEXO DE ESPELHO
ISSO É MENTIRA
É JOGO DE FELAÇÃO
POIS SOU FILHO DO POVO
E NÃO USO DESSA MÃO
ESCUSA, FRAUDULENTA
PARA ASSERÇÃO DO NÃO
E PARA FIM DE CONVERSA
QUEM CONJURA COM O NÃO
NÃO É OUTRA COISA
SENÃO UM
LADRÃO
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
“Podem abrir as cortinas. O espetáculo vai começar.”
Valeu a pena? Pergunto-me.
Rememorando os dias
que tivemos de cansaço, de abuso, de chateação, de ...será que vale a pena? Respondo:
sim, valeu.
Para mim que prezo
muito o conhecimento, este momento em que recebo o grau, independente de toda
sua pompa, que, aliás, deve ter, até pelo simbolismo que ela representa de uma “parada”
no ciclo de absorção de conhecimento e, ao mesmo tempo, representa uma “armadura”
para enfrentar um novo embate, sim – digo, valeram a pena todos os momentos
anteriores que me trouxeram até aqui.
O que passou compõe o
rol de experiências que será determinante na tomada de decisões que comporão o
futuro, incerto, todavia, mas palpável, planejável, mensurável.
Como disse o poeta
uma vez “o tempo não para” e é incólume, irretratável e tirânico. Mas eu, nós
humanos, diferentemente do tempo que é unidirecional e imutável, somos
resilientes, obstinados e criativos, às vezes lento, mas é quando a tempestade
está forte, para vencermo-la e prosseguir por outros caminhos buscando
o...futuro – não tempo.
Sim! Ao futuro, não
tempo, posto que vale a pena, um brinde. Tim-tim.
“Podem abrir as
cortinas. O espetáculo vai começar.”
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
BALADA DO DIA SEGUINTE
BALADA DO DIA SEGUINTE
O DIA
AMANHECEU SONOLENTO
EXALANDO O
MAU HÁLITO DO PORRE DA NOITE ANTERIOR
MAS PARA
OLÍVIA
OS DIAS E AS
NOITES SÃO IGUAIS
A TRISTEZA
QUE CONHECERA APENAS NOS ROMANCES E NOVELAS
ERA AGORA
SUA COMPANHEIRA DOS DIAS E NOITES TÃO IGUAIS
O SOL QUE
ADENTRAVA PELA JANELA
FERIA-LHE OS
OLHOS CASTANHOS CLAROS
E DA JANELA
VIA-SE APENAS OS TELHADOS SUBURBANOS
ENCALACRADOS
EM SUA
DECREPITUDE
SE
ASSEMELHANDO
A DENTES DE
UMA BOCA
IMUNDA E
FÉTIDA
A SORRIR
DE SUA
PRÓPRIA IGNORÂNCIA
ENCAROU A SI
MESMA
NO ESPELHO
ACHOU-SE
MAGRA
MAIS MAGRA
DO QUE HÁ DOIS
ANOS QUANDO
FUGIU
DE SUA
EXISTÊNCIA OU DE SI MESMO
E CHEGOU
AQUI
NESTE QUARTO
NO 2º ANDAR
DESTE CASARÃO
NESTA CIDADE
QUE AO MESMO
TEMPO
EM QUE ERA
LIBERTÁRIA
PARA O QUE
FORA
TORNOU-SE
PRISÃO
PARA O QUE É
OLHOU-SE COM
CARINHO
ACARICIOU O
PÚBIS PELUDO
VESTIU UM
VESTIDO
E DESCEU AS
ESCADAS
ABRIU A
PORTA DO BAR
E SORRIO
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
IDEALIZAÇÃO DA HUMANIDADE FUTURA
IDEALIZAÇÃO DA HUMANIDADE FUTURA
Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais! –
Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!
Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...
E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais! –
Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!
Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...
E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!
© AUGUSTO DOS ANJOS
Eu, 1912
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
terça-feira, 22 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
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