Quem sou eu

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Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.

terça-feira, 30 de maio de 2017

SURURU FRESCO

SURURU FRESCO


SURURU FRESCO
SURURU FRESCO

CHAFURDA A LAMA
MEXE, TIRA
DESCASCA E CANTA
OLHA O SURURU
SURURU FRESCO

DA LAGOA
EMPOBRECIDA
NA CANOA
SEM CAMISA
PRÁ FAZER O PÃO
COM SURURU FRESCO

NA FAVELA
EMBRUTECIDA
VIDA!
VIDA FUDIDA
PRÁ PESCAR O SURURU

SURURU FESCO

MERGULHA NA LAGOA
SE MELA, SE LAMBUZA
ENFIA A MAO NO CHÃO
PRÁ PESCAR NA LAMA O

SURURU FRESCO

SURURU FRESCO

terça-feira, 21 de março de 2017

USO DOS SOFISMAS PARA FAZER SER O QUE NÃO É


USO DOS SOFISMAS PARA FAZER SER O QUE NÃO É


ESTOU CANSADO DESTA BAIXEZA
DESTE POUCO MERECER
DESTA IMUNDÍCIE PURA
DESTE NADA FAZER
TENHO CULPA DISSO TUDO
MAS TAMBÉM NÃO POSSO SER
RESPONSÁVEL SOZINHO
POR ESTA PODRIDÃO
QUE NÃO CESSA DE CRESCER

ELES JOGAM A FALÁCIA
DE QUE SÃO ASSIM
POR QUE SOU ASSIM
COMO UM REFLEXO DE ESPELHO

ISSO É MENTIRA
É JOGO DE FELAÇÃO
POIS SOU FILHO DO POVO
E NÃO USO DESSA MÃO
ESCUSA, FRAUDULENTA
PARA ASSERÇÃO DO NÃO
E PARA FIM DE CONVERSA
QUEM CONJURA COM O NÃO
NÃO É OUTRA COISA
SENÃO UM


LADRÃO

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

“Podem abrir as cortinas. O espetáculo vai começar.”



Valeu a pena? Pergunto-me.

Rememorando os dias que tivemos de cansaço, de abuso, de chateação, de ...será que vale a pena? Respondo: sim, valeu.

Para mim que prezo muito o conhecimento, este momento em que recebo o grau, independente de toda sua pompa, que, aliás, deve ter, até pelo simbolismo que ela representa de uma “parada” no ciclo de absorção de conhecimento e, ao mesmo tempo, representa uma “armadura” para enfrentar um novo embate, sim – digo, valeram a pena todos os momentos anteriores que me trouxeram até aqui.

O que passou compõe o rol de experiências que será determinante na tomada de decisões que comporão o futuro, incerto, todavia, mas palpável, planejável, mensurável.

Como disse o poeta uma vez “o tempo não para” e é incólume, irretratável e tirânico. Mas eu, nós humanos, diferentemente do tempo que é unidirecional e imutável, somos resilientes, obstinados e criativos, às vezes lento, mas é quando a tempestade está forte, para vencermo-la e prosseguir por outros caminhos buscando o...futuro – não tempo.

Sim! Ao futuro, não tempo, posto que vale a pena, um brinde. Tim-tim.

“Podem abrir as cortinas. O espetáculo vai começar.”

Graduaaaadoooooooooooooooooooo em Ciências Contábeis.


O dia em que recebi o grau. Contabilista eu sou. Uhuuuuuuuuu!










quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

BALADA DO DIA SEGUINTE

BALADA DO DIA SEGUINTE

O DIA AMANHECEU SONOLENTO
EXALANDO O MAU HÁLITO DO PORRE DA NOITE ANTERIOR
MAS PARA OLÍVIA
OS DIAS E AS NOITES SÃO IGUAIS
A TRISTEZA QUE CONHECERA APENAS NOS ROMANCES E NOVELAS
ERA AGORA SUA COMPANHEIRA DOS DIAS E NOITES TÃO IGUAIS
O SOL QUE ADENTRAVA PELA JANELA
FERIA-LHE OS OLHOS CASTANHOS CLAROS
E DA JANELA VIA-SE APENAS OS TELHADOS SUBURBANOS
ENCALACRADOS
EM SUA DECREPITUDE
SE ASSEMELHANDO
A DENTES DE UMA BOCA
IMUNDA E FÉTIDA
A SORRIR
DE SUA PRÓPRIA IGNORÂNCIA
ENCAROU A SI MESMA
NO ESPELHO
ACHOU-SE MAGRA
MAIS MAGRA DO QUE HÁ DOIS
ANOS QUANDO FUGIU
DE SUA EXISTÊNCIA OU DE SI MESMO
E CHEGOU AQUI
NESTE QUARTO
NO 2º ANDAR DESTE CASARÃO
NESTA CIDADE
QUE AO MESMO TEMPO
EM QUE ERA LIBERTÁRIA
PARA O QUE FORA
TORNOU-SE PRISÃO
PARA O QUE É
OLHOU-SE COM CARINHO
ACARICIOU O PÚBIS PELUDO
VESTIU UM VESTIDO
E DESCEU AS ESCADAS
ABRIU A PORTA DO BAR
E SORRIO


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

IDEALIZAÇÃO DA HUMANIDADE FUTURA


IDEALIZAÇÃO DA HUMANIDADE FUTURA
Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais! –

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

© AUGUSTO DOS ANJOS
Eu, 1912

O MEU NIRVANA - Augusto dos Anjos


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

AND I LOVE HER

AND I LOVE HER


ÀS VEZES
ME PEGO A OLHAR
A BELEZA QUE TEM
O TEU SORRISO
A ALEGRIA QUE TEM
O TEU OLHAR
E ME PERCO
ESQUECENDO-ME ATÉ DE MIM

ÀS VEZES
QUERIA PARAR O TEMPO
E FICAR A TI OLHAR
SEM PRESSA
SEM DESEJO

POR AMAR



dias pobres