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Este alagoano de São José da Tapera, nascido em 1966, é maravilhado com a escrita e encantado com as letras. Procura traduzir em seu trabalho as inquietações da alma humana em suas relações interpessoais e consigo mesmo. Autor dos livros: O homem que virou calango (contos); Retratos Urbanos; Síndroma de Imunodeficiência Depressiva; Da dor do não, poemas; coautor de Caoticidade Urbanopoética do eu nulo, poesia; participação na 1ª Antologia da Confrafia: Nós, Poetas.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quando o dia já é saudade



O silêncio
Envolvia a sala
A cortina balouçava
Suave
Ao som das
Folhas no jardim
A penumbra reinante
Transporta-me
A reminiscências
Que um dia
Prometi esquecer
E que como um flash
Atormenta-me
Em situações onde
Encontro-me vulnerável.
Apartate-me de mim
Oh, dores
De minha alma
O som de passos no Soalho
Recobra-me a realidade
Tento na penumbra
Vislumbrar algum vulto
Pura imaginação.
Volto o olhar para
A janela.
A rua em silêncio, molhada pela chuva
Fina que caiu
Esconde-se por
Trás da cortina
Ligo o rádio.
Ao som de velhas canções
Ensaio passos
De um balé
Imaginário
Tal ave deslizando
Sobre o lago silencioso
Em fim de tarde outonal
Quando o dia já é saudade.
Sem me aperceber
Adormeci no sofá.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Odeio silêncios que incomodam




Incomoda-me
Ter que falar tolices
Para parecer estar a vontade
Quando não estou.
Cuspo assuntos inúteis
Para uma conversa também, inútil,
Melhor seria, a meu ver,
Não dizer nada,
Apenas sorrir.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Fragmentos do cotidiano


Fragmentos do cotidiano


O coveiro naquele dia fazia a transferência dos ossos de alguns mortos para o ossário a fim de liberar espaço nas catacumbas e permitir o enterro de mais alguns desafortunados. Quando retirava os ossos de uma das covas, uma mulher aparentando uns trinta e tantos anos, morena, os beiços grandes pintados de vermelho, um metro e sessenta de altura - talvez menos, um bucho grande, trajando um macaquito verde-bandeira bem acochado, um cinto marrom com uns cinco dedos de largura no meio do bucho, uma meia-calça preta, toma o crânio da mão do auxiliar e questiona: esta não é a cova do meu pai? ESTÃO FAZENDO O QUÊ COM A CABEÇA DE MEU PAI? A gente só tava. É MEU PAI. É A CABEÇA DE MEU PAI. Minha senhora a gente só tava. SÓ TAVA O QUÊ? O QUÊ? É MEU PAI. NEM OS MORTO PODE VIVER EM PAZ. Num chore não mulé. NUM CHORE NÃO O QUE? É MEU PAI. A gente só tava. É MEU PAI. Me dá essa cabeça sua maluca. A gente tem que terminá nosso selviço. Toma essa cabeça dela, lerdo. Oxe, porque eu? Porque eu to dentro da cova. N.Ã.O   T.O.Q.U.E   E.M   M.I.M. Calma dona. É MEU PAI. Pega logo essa cabeça. Deixa de conversa com essa maluca. NÃO TOQUE EM MIM COM ESSAS MÃOS PODRES. E a senhora, com a cabeça encostada nesse peitão. É MEU PAI. Pega logo essa cabeça, home. E se ela gritá. Se você não pegá quem vai gritá sou eu. Peste, só me faltava essa. Me dá essa porra.VOCÊ ME RESPEITE. Pegá ela, seu lerdo. Não, espera. É prá pegá ela ou não. Sim. Não. Me tira daqui primeiro. Pega essa maluca. Vá por ali, dê a volta e vê se não cai nas cova aberta. SE TOCAR EM MIM EU DOU ESCÂNDALO. EU VOU GRITAR. É MEU PAI. QUE ABSURDO MEXÊ NA COVA DOS MORTOS SEM ELES SABER. De quem é essa cova? É de Zabumba. Então é a irmã de Beto. Eita, é a mulé de Bodinho. Agora que me lembrei. Liga pra ele. Oxe, porque eu tenho que ligar se você é o coveiro e eu sou o ajudante. Só me faltava essa peste dessa catenga gorda, inchada, me aperreá. Me dá o telefone. Vôte, porque o meu? Tô sem crédito, lástima. Manda a prefeitura botá um telefone aqui, então. Só se for prá os defunto falar com tua mãe, né? Me dá logo o celular. Num gaste meus bônus não. É MEU PAI...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Poeticamente: Noite dessa em conversa com um amigo, o mesmo me d...

Poeticamente: Noite dessa em conversa com um amigo, o mesmo me d...: Noite dessa em conversa com um amigo, o mesmo me dizia como o tempo estava passando rápido e eu lhe respondi que não. O tempo é o mesmo, se...
Noite dessa em conversa com um amigo, o mesmo me dizia como o tempo estava passando rápido e eu lhe respondi que não. O tempo é o mesmo, sempre. Dramaticamente imutável. Vejam que incoerência. O tempo ... é imutável, não muda, é sempre o tempo. Porque, a grande questão é: que valor damos a ele?, ou melhor, não damos. Tentamos subjugá-lo, dominá-lo, mas quão inúteis são nossos esforços porque não é ele o agente ativo. Ele é estático e imutável. Acontece que estamos devotando demasiada atenção a questões que nos "roubam" o tempo ao invés de atermo-nos com questões que nos poupem tempo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

NUNCA QUIS CAUSAR DOR

NÃO A MIM
NÃO SE CAUSA DOR A SI MESMO
A NÃO SER POR COMPAIXÃO

NÃO HÁ COMPAIXÃO
NÃO HÁ

NÃO A DOR
POR NÃO SABÊ-LA MINHA

O QUE SOU?
O QUE TENHO?
O QUE QUERO?
NÃO SEI.
NÃO SEI?
NÃO!?

SENDO ASSIM
COMO SENTIR POR AQUILO QUE NÃO POSSUO
COMO TER POR AQUILO QUE NÃO SOU

É ASSIM COMO DIZEM, POR FIM...

TODAS AS COISAS TERMINAM.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O REFLEXO PARA O ESPELHO
É VOCÊ
QUE DO LADO DE LÁ
O VÊ AO CONTRÁRIO
E DO LADO DE DENTRO
VOCÊ NÃO SE VÊ

DEMOCRACIA!?

Em Trípoli, Líbia,às vezes, os jovens guerrilheiros se reúnem sob uma tamareira ao lado da piscina vazia para se divertir ... Quando chove, eles entram para jogar totó em uma sala de jogos improvisada dentro do seu local de encontro preferido, uma casa saqueada onde um dos filhos de Muamar Kadafi morava.

A casa é uma enorme cúpula de prazeres de um andar, localizada em um complexo de jardins bem cuidados onde os irrigadores continuam ligados, semanas depois que o antigo proprietário, Muatassim Kadafi, morreu logo após ser capturado pelos rebeldes.

A mansão fica escondida da vizinhança ao redor por muros de aço e concreto, e seus luxos incluem uma academia de ginástica de alta tecnologia e um banho turco privado ... e um teto pontilhado por centenas de pequenas luzes, imitando o céu noturno.

"Só vendo o lugar para acreditar", disse Moad Farhat, um estudante de 21 anos que se tornou rebelde..., "Ele era filho do presidente."


Neste mundo globalizado a realidade dos nossos "NÃO MENOS DITADORES" dos três poderes "CONSTITUÍDOS" compartilham a mesma realidade.

Estamos em 2012 precisamos fazer uma limpeza.

Poeticamente: BALADAS

Poeticamente: BALADAS: QUANDO A DOR, COMO A NOITE QUE CAI, EXPRIMIR SEU LAMENTO ÚLTIMO UM LAIVO DE SANGUE ESCORRERÁ DE MEUS OLHOS E DESLIZARÁ SOBRE A LÁPIDE ...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

BALADAS

QUANDO A DOR, COMO A NOITE QUE CAI,
EXPRIMIR SEU LAMENTO ÚLTIMO

UM LAIVO DE SANGUE
ESCORRERÁ DE MEUS OLHOS
E DESLIZARÁ SOBRE A LÁPIDE
NUM FILETE -
IMENSA É A DOR -
E DESPENCARÁ NO VAZIO

E NO SOLO
DEIXARÁ SUA MÁCULA
TORNANDO-O ESTÉRIL
E OS CORPOS DALI
TOMBARÃO TANTOS

QUE UMA PÁ, SOMENTE,
NÃO SERÁ SUFICIENTE PARA
RECOLHÊ-LOS A TODOS

DA MORTE NADA
TEMO
A NÃO SER
A DOR DA PERDA

BALADAS

A NOITE
OS OLHOS NAVEGAM
NA EDÍCULA
QUENTE E ESCURA
OBSERVANDO O SILÊNCIO
E NA PENUMBRA
LEMBRANÇAS SE
FORMAM E SE
ESVAEM
AO SOPRO DA
RESPIRAÇÃO
NA PAREDE EM FRENTE: UM QUADRO
UM RELÓGIO À DIREITA
UM VASO SOBRE A MESA
DE CANTO
A CORTINA PESADA
ENTREABERTA
NO VASO FLÔRES DE PLÁSTICO
NA MESA INCRUSTAÇÕES A FACA
DE UMA VIDA QUE NÃO QUER SER ESQUECIDA
NEM LEMBRADA
APENAS
REVISITADA
COMO UMA
FOTOGRAFIA VELHA
ENEGRECIDA
E ESQUECIDA
NO FUNDO DE UMA
CAIXA DE SAPATOS...

NO FUNDO DE UMA GAVETA.